Laércio Oliveira e família

Wednesday, August 16, 2006


" Depois de muito meditar sobre o assunto concluí que os casamentos (relacionamentos) são de dois tipos: há os casamentos do tipo "tênis" e há os casamentos do tipo "frescobol". Os casamentos do tipo tênis são uma fonte de raiva e ressentimentos e terminam sempre mal. Os casamentos do tipo frescobol são uma fonte de alegria e têm a chance de ter vida longa. Explico-me. Para começar, uma afirmação de Nietzche, com a qual concordo inteiramente. Dizia ele: "Ao pensar sobre a possibilidade do casamento, cada um deveria se fazer a seguinte pergunta: Você crê que seria capaz de conversar com prazer com esta pessoa até sua velhice?". Tudo o mais no casamento é transitório, mas as relações que desafiam o tempo são aquelas construídas sobre a arte de conversar. Há os carinhos que se fazem com o corpo e há os carinhos que se fazem com as palavras. E, contrariamente ao que pensam os amantes inexperientes, fazer carinho com as palavras não é ficar repetindo o tempo todo: "Eu te amo...". Barthes advertia: "Passada a primeira confissão, 'eu te amo' não quer dizer mais nada". É na conversa que o nosso verdadeiro corpo se mostra, não em sua nudez anatômica, mas em sua nudez poética. O tênis é um jogo feroz. O seu objetivo é derrotar o adversário. E a sua derrota se revela no seu erro: o outro foi incapaz de devolver a bola. Joga-se tênis para fazer o outro errar. O bom jogador é aquele que tem a exata noção do ponto fraco do seu adversário, e é justamente para aí que ele vai dirigir sua cortada - palavra muito sugestiva - que indica o seu objetivo sádico, que é o de cortar, interromper, derrotar. O prazer do tênis se encontra, portanto, justamente no momento em que o jogo não pode mais continuar porque o adversário foi colocado fora de jogo. Termina sempre com a alegria de um e a tristeza de outro. O frescobol se parece muito com o tênis: dois jogadores, duas raquetes e uma bola. Só que, para o jogo ser bom, é preciso que nenhum dos dois perca. Se a bola veio meio torta, a gente sabe que não foi de propósito e faz o maior esforço do mundo para devolvê-la gostosa, no lugar certo, para que o outro possa pegá-la. Não existe adversário porque não há ninguém a ser derrotado. Aqui ou os dois ganham ou ninguém ganha. E ninguém fica feliz quando o outro erra - pois o que se deseja é que ninguém erre. E o que errou pede desculpas, e o que provocou o erro se sente culpado. Mas não tem importância: começa-se de novo este delicioso jogo em que ninguém marca pontos... A bola são nossas fantasias, irrealidades, sonhos sob a forma de palavras. Conversar é ficar batendo sonho pra lá, sonho pra cá... Mas há casais que jogam com os sonhos como se jogassem tênis. Ficam à espera do momento certo para a cortada. Tênis é assim: recebe-se o sonho do outro para destruí-lo, arrebentá-lo, como bolha de sabão... O que se busca é ter razão, e o que se ganha é o distanciamento. Aqui, quem ganha sempre perde. Já no frescobol é diferente: o sonho do outro é um brinquedo que deve ser preservado, pois se sabe que, se é sonho, é coisa delicada, do coração. O bom ouvinte é aquele que, ao falar, abre espaços para que as bolhas de sabão do outro voem livres. Bola vai, bola vem - cresce o amor... Ninguém ganha, para que os dois ganhem. E se deseja então que o outro viva sempre, eternamente, para que o jogo nunca tenha fim...

7 Comments:

Anonymous Nessa Pagiola said...

muito legal isso..
bjs

6:36 PM  
Blogger gege said...

Puxa Laércio.Que puxão de orelha...heim

Sucessooooooooo......

Gerson e Luciemi
Curitiba PR

3:28 AM  
Anonymous Fatima (RJ) said...

Eu achei seu texto maravilhoso, pois apesar de nao ser ainda casada tento viver essa experiência de jogar frescobol com meu namorado, no "treinamento" de assim vivermos no casamento. Lendo seu texto vi quantas vezes jogamos tenis, mas a vida vai nos ensinando tudo... Adorei o que escreveu, nos alerta e nos faz enxergar melhor... Um grande abraço para você e sua linda família! Fatima (RJ).

6:01 AM  
Anonymous Giselle Lizarda said...

Paz e bem, Laércio!!!

Meu nome é Giselle, moro em Taguatinga - Df.
Acompanho seu trabalho há muito tempo e ví um link do seu blog no site de uma amiga.
Resolví visitar e amei o espaço.
Virei mais vezes pq aqui é um lugar de paz.

Me sentiria honrada se recebesse uma visita sua. O endereço é: http://cantinhodagi.myblog.com.br

Um abraço, um ósculo santo e bom fim de semana!!!

9:37 AM  
Anonymous Renata Aprá said...

Querido Lalá....
Que texto maravilhoso... valeu mesmo... um dos mais legais que li por esses dias!!!
beijão....
e boa missão na terra do Tio Sam!!!
SAudades

10:13 PM  
Anonymous JERÔNIMO/CE said...

OBRIGADO AMADO IRMÃO EM CRISTO JESUS PELAS FELÍCITAS PALAVRAS DE SABEDORIA. BEM DESENVOLVESTES EM MEU CORAÇÃO ESSA REFLEXÃO SOBRE O VERDADEIRO AMOR EM UMA RELAÇÃO A DOIS. DEUS TE ABENÇOE. UM XERU NA BILOTA DO ÔI. XAUZÃÃÃÃÃÃÃOOOOOOOOO

4:53 AM  
Anonymous Anonymous said...

Que pena não ter lido estas palavras a 11 anos atrás...
Joguei tênis a pelo menos 15 anos no meu relacionamento com meu ex marido. Fomos adversários implacáveis. Que todos possam ler estas palavras para que ao refleti-las a docilidade das mesmas penetre no coração de cada um e mais casamentos sejam eternos.
Que Deus te proteja!
AMÉM!
Gisele

5:01 AM  

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